Em nova audiência, Iges-DF conclui prestação de contas do 3º quadrimestre de 2025

Compartilhe

O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) retornou à Câmara Legislativa do DF nesta sexta-feira (10) para dar sequência à prestação de contas referente ao terceiro quadrimestre de 2025. A audiência pública, promovida pela Comissão de Saúde da CLDF e presidida pela deputada Dayse Amarilio (PSB), reuniu o presidente do Iges-DF, Cleber Monteiro Fernandes, o presidente do Conselho de Saúde do DF, Domingos de Brito Filho, técnicos do instituto e representantes da sociedade civil.

Na primeira parte da reunião, ocorrida em 26 de março, o instituto apresentou dados relativos à gestão de insumos, engenharia e arquitetura, além da economia de custos. No encontro desta sexta, os técnicos trouxeram números sobre a gestão financeira, recursos humanos e metas assistenciais no período analisado.

A deputada Dayse Amarilio abriu a reunião cobrando explicações sobre uma denúncia recebida por seu gabinete. Segundo informou, trabalhadores da empresa Diagnose, que presta serviço ao instituto, estariam com salários atrasados. Cleber Monteiro, explicou que há um imbróglio jurídico relativo à prestadora em tramitação no Tribunal de Contas do DF, mas que a demanda já foi superada e os pagamentos em atraso serão realizados.

Para Amarilio, a raiz de problemas como esse está no modelo de contrato adotado pelo GDF. A parlamentar voltou a criticar o quantitativo de aditivos ao documento firmado entre o Executivo e o instituto e cobrou um novo modelo de acordo.

“O problema não foi o Tribunal de Contas, foi a forma como o serviço está sendo pago, porque não existe uma situação contratual que dê segurança tanto para o Iges-DF quanto para os trabalhadores da Diagnose desde o começo”, afirmou.

A deputada avaliou ainda que, embora o Iges-DF tenha apresentado melhorias no atendimento, a saúde pública do DF enfrenta uma crise gerada pelo governo atual, com baixo aporte orçamentário para a área, o que, em sua análise, reflete-se no atendimento à população.

Hoje estamos vivenciando uma crise, inclusive dentro do Iges-DF. Não dá para não ser dito. Há uma clara falta de prioridade no orçamento para a saúde. O instituto não tem sido visto da maneira que deveria, pois, se a saúde fosse prioridade, o contrato de gestão teria outro formato”, pontuou.

 

Felipe Ando/Agência CLDF

Outro problema apontado na reunião foi a inoperância de tomógrafos em unidades de saúde, como o Hospital de Base do DF (HBDF). O presidente do instituto detalhou que o aparelho do HBDF parou de funcionar devido a mau uso, mas que o conserto já está em andamento. Monteiro anunciou ainda que, até julho, o DF passará a contar com quatro novos tomógrafos, que estão sendo instalados em unidades geridas pelo Iges-DF.

Ainda sobre a situação dos tomógrafos, Dayse Amarilio criticou o fato de as empresas contratadas para a manutenção dos equipamentos atenderem apenas em dias úteis, o que, em sua avaliação, coloca em risco a vida de pacientes que aguardam exames de urgência. A parlamentar defendeu que os contratos sejam refeitos, prevendo atendimento inclusive aos fins de semana.

Gestão Financeira

Conforme apresentado, no período analisado, o Iges-DF registrou receita líquida total de R$ 433 milhões, oriunda principalmente dos repasses do Contrato de Gestão, complementados por convênios federais, rendimentos bancários e recursos próprios. O valor considera o repasse mensal atualizado após a formalização do 62º Termo Aditivo ao contrato, vigente a partir de janeiro de 2025.

As despesas do quadrimestre somaram R$ 516 milhões, distribuídas principalmente entre custos com pessoal, serviços de terceiros, material de consumo, investimentos e despesas gerais. A composição dos gastos apontou predominância das despesas com pessoal, que representaram cerca de 61% do custo total, seguidas pelos serviços de terceiros e pelo consumo de insumos assistenciais.

O relatório também apresentou a evolução da composição da dívida do instituto, com redução progressiva ao longo dos últimos exercícios. No terceiro quadrimestre de 2025, o passivo registrado foi de cerca de R$ 36 milhões, percentual significativamente inferior ao observado em períodos anteriores. As obrigações pendentes referentes ao quadrimestre, no valor total de R$ 137 milhões, foram quitadas integralmente até fevereiro de 2026.

No âmbito da gestão contratual, o Iges-DF formalizou novos instrumentos e aditivos, com destaque para a obtenção de reduções de custos decorrentes de processos licitatórios, renegociações e utilização de atas de registro de preços.

 

Felipe Ando/Agência CLDF

Gestão de Pessoal

Ao final do terceiro quadrimestre de 2025, o Iges-DF contava com 11.924 colaboradores, sendo 11.285 empregados celetistas (94,6%) e 639 servidores estatutários (5,4%), cedidos pela Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal. As mulheres representam 74% do total do quadro funcional.

A distribuição por categoria profissional indica predominância de trabalhadores da área assistencial, com destaque para técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos e equipes multiprofissionais. A média salarial dos empregados celetistas foi de R$ 5.984,31, enquanto aqueles que exercem funções gratificadas apresentaram média de R$ 11.764,42. No caso dos servidores estatutários, a remuneração segue os parâmetros da Secretaria de Saúde.

A despesa com pessoal permaneceu dentro do limite máximo de 70% do repasse previsto no Contrato de Gestão. No quadrimestre, o percentual apurado foi de 67,6%, considerando remunerações e encargos, incluindo a provisão do décimo terceiro salário.

Os indicadores trabalhistas registraram taxa média de absenteísmo de 2,1% e turnover (rotatividade de pessoal) geral de 1,3%. Entre setembro e dezembro de 2025, houve retorno de aproximadamente 23,7% dos servidores estatutários ao quadro da Secretaria de Saúde.

No campo do recrutamento e seleção, foram publicados 70 processos seletivos no período, totalizando 26.508 inscrições, destinadas à recomposição do quadro funcional nas áreas assistencial, administrativa, médica e multiprofissional. O texto aponta que também houve avanço nas etapas do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR), com conclusão do diagnóstico institucional e andamento das fases de estruturação.

Metas Assistenciais

No período analisado, as unidades geridas pelo Iges-DF apresentaram produção assistencial superior às metas pactuadas em diversos indicadores, abrangendo hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). No Hospital de Base do Distrito Federal e no Hospital Regional de Santa Maria, destacaram-se resultados em internações clínicas e cirúrgicas, procedimentos especializados, consultas ambulatoriais e exames diagnósticos.

Nas 13 UPAs, os indicadores de acolhimento, atendimento médico e observação de até 24h superaram as metas contratuais. A taxa de mortalidade institucional inferior a 24h manteve-se abaixo do limite máximo estabelecido, enquanto os tempos médios de atendimento foram monitorados conforme a classificação de risco.

O período também registrou ampliação das ações de telessaúde e reorganização dos fluxos assistenciais, integradas à rede hospitalar, o que, segundo o Iges-DF, contribuiu para o gerenciamento da demanda e a continuidade do cuidado.

O relatório completo do Iges-DF está disponível na página da Comissão de Saúde da CLDF. A audiência pública pode ser assistida na íntegra pelo canal da CLDF no YouTube.

 

Fonte: Agência CLDF

Redação
Redaçãohttps://visaoplena.news
O seu portal de notícias com análises profundas e atualizações diárias de notícias com visão abrangente dos principais acontecimentos de conteúdos relevantes para você se manter bem informado e atualizado!
Últimas

Você pode gostar